Fios, teclas, botões, códigos, números, programações…

Basicamente nisso q se resumem nossas relações. A um amontoado de placas e fios de cobre e zinco.

Os tons apagados, o silêncio dos cliques, os emaranhados de fios. A feiúra da tecnologia. Sem sentimento, sem sentido, sem vida.

Mas James Blake nos prova, em seu álbum de estréia que estamos, redondamente enganados. A beleza e os sentimentos podem emergir e se manifestar dos lugares mais inusitados. Como por exemplo, em um disco onde a única coisa orgânica é a bela voz de Blake, e q por muitas vezes é carregada por sintetizadores.

Desde Unluck, a faixa q abre o disco, James Blake agrega a dita silentwave sensibilidade e cuidado quase barroco nos detalhes, como chiados, reverbs.

Wilhelms Scream, o primeiro single do trabalho, resume tudo o q foi dito até agora. Nele a voz de Blake, escondida entre efeitos, camadas e loops, emerge trazendo ares de angústia. Angústia de quem esta caindo, seja de amores, seja absorto em sonhos. Todo este sentimento cresce a medida q a música avança, e os efeitos e a voz de Blake ganham viço.

Um exemplo bacana de como Blake funde sua bela voz com efeitos é na dupla, Lindesfarne I e Lindesfarne II. A voz de Blake distorcida, simplesmente isso nas duas faixas, às vezes acompanhada de algum loop.. Simplicidade extrema q resulta em duas faixas singelas e fantásticas.

Agora pra não pecar de deixar de lado a música mais “usual” do disco de Blake e uma das mais lindas Limit To Your Love. Cover da cantora Feist. Um piano, alguns beats e a voz limpa. Mais uma pérola do minimalismo com um resultado daqueles. Digna de encher os olhos de qualquer um.

O debut de Blake tem ganas de clássico, de histórico, um marco pra mais uma das tantas waves. Pena q o momento q este disco foi lançado não é propício pra clássicos. Mas já o coloco na lista de disco da vida e na briga pelo topo da minha lista de final de ano.

Espero q este disco cause a mesma comoção em outras pessoas.

The Wilhelm Scream

Limit To Your Love

Boas Enjambradas.

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