Fetiches. O gosto pelo bizarro, pelo não habitual, pelo estranho. Enfim, coisas tão anormais como comer brigadeiro dentro do pastel (admito q faço isso).

As pessoas têm atrações bizarras que não cabe citar todas aqui (tirando as minhas. Brincadeira;). Mas acima de tudo, o que move essas pessoas? E será que seus sentimentos realmente são tão tresloucados? Acho que o álbum Compass (2010) de Jamie Lidell pode ajudar a responder (Já vou deixar tudo bem claro, este disco desperta em mim sentimentos meio fetichistas. Depois explico).

Pra entender Jamie Lidell, primeiro temos que saber que o cara grava pela WARP, uma gravadora americana com grande parte de seu catálogo formado por música eletrônica e famosa por sempre estar sempre na vanguarda da estranheza. Pois bem, sabendo onde ele grava, ainda basta saber que ele mistura toda essa piração da WARP, com Soul e que se referência muito em Prince (tá bom de estranhice?).

Ele usa uma porrada de técnicas em seu som, sendo que uma das mais intrigantes é uma brincadeira que ele faz com a voz, onde basicamente, a coloca em vários canais com diferentes distorções, fazendo meio que um coro de um homem só, isso fica bem evidente nas primeiras músicas do disco, como Completely Exposed e Your Sweet Boom. Além dessa traquitana na voz, uma série de chiadinhos e barulinhos beeem esquisitos figuram durante Compass.

Como falei antes, uma das grandes referências de Lidell é o Soul canastrão e homoafetivo do Prince, que é muito presente durante todo o disco. I Wanna Be Your Telephone é Prince elevado a enésima potência. Os vocais abichornados (desculpa o termo), o groove e o swing da guitarra estão lá, tudo acompanhado das peripécias eletro-estranhas.

Muito além do não convencional já falado, Compass tem uma série de músicas muito bonitas e singelas com She Needs Me, It´s A Kiss e You See My Light, por exemplo. Faixas belas que fundem de forma bem diferente, e quase inusitada, tudo que já foi dito aqui.

O grande barato desse disco é como Jamie Lidell conseguiu misturar de forma orgânica elementos que são em sua maioria eletrônicos, com swing inerente ao Soul. Ele é capaz de colocar graciosidade na estranheza e isso é que eu me refiro quando uso a palavra fetiche, pois faz as pessoas acharem sexy, bonito, ou o que seja, relacionar sentimento com o “anormal”. E é isso a resposta das perguntas lá de cima, no fundo, todos somos meio fetichistas.

The Ring

I Wanna Be Your Telephone

Esse vídeo não é desse disco mas tem tudo a ver com o que foi falado Little Bit Of Feel Good

Boas Enjambradas.

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